CARTA DOS(AS) ATINGIDOS(AS) PELA BAMIN-FIOL-PORTO SUL

                                                                  

Aos cidadãos e cidadãs baianas,

Nós, representantes das populações atingidas pela BAMIN-FIOL-PORTO SUL, oriundos das regiões de Bom Jesus da Lapa, Caetité, Norte de Minas Gerais e Ilhéus, reunidos nos dias 27 e 28 de outubro de 2011, na Vila de Juerana, Ilhéus/BA, indignados com a situação de degradação socioambiental causada por essas empresas, MANIFESTAMOS NOSSO TOTAL REPÚDIO ao complexo de empreendimentos que está sendo implementado no Estado da Bahia para exploração e exportação de minério, ao tempo em que CONVOCAMOS A POPULAÇÃO BAIANA A SE ATENTAR PARA O QUE PODE ACONTECER se não fizermos nada para impedir!
Esses empreendimentos envolvem a exploração de minérios de ferro no município de Caetité pela BAMIN (Bahia Mineração S/A, pertencente a Eurasian Natural Resource Corporation) e todo o aparato logístico que está sendo criado para o escoamento dessa produção, com a construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), do AQUEDUTO para obtenção de água no Rio São Francisco e do PORTO SUL em Aritaguá, no município de Ilhéus. Também a empresa SAM quer enviar por mineroduto o minério de ferro da região Norte de Minas que será recebido em Itabuna com altos riscos de contaminação, pois a água contaminada será despejada aqui antes do minério embarcar no Porto. 
Causa-nos indignação a forma como estas obras estão sendo licenciadas e executadas em total desrespeito a natureza e a vida das populações que estão no seu entorno. Desmatamento, poluição, extinção de ecossistemas raros e expulsão de comunidades inteiras de pescadores, índios, quilombolas, assentados e camponeses, são símbolos eloquentes do desastre que se anuncia.  Milhares de famílias desde Caetité até Ilhéus estão ameaçadas de perder suas casas e campos de trabalho para a execução desses projetos, que beneficiarão unicamente a uma empresa estrangeira.
Longe de cumprir com as promessas de progresso e emprego, o complexo de obras aponta para uma visão ultrapassada de desenvolvimento que não corresponde com o progresso que desejamos. Políticas públicas que foram implementadas pelos governos estadual e federal e que beneficiaram muitas dessas populações com o turismo e a agricultura familiar encontram-se em xeque em meio às contradições de um governo que está longe de ser de todos nós. Os impactos relatados em detalhe no EIA – RIMA (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) de Porto Sul, não poderão ser sanados com medidas mitigadoras incapazes de compensar os danos irreversíveis na natureza e nas populações que vivem no entorno das obras. Mais que isso, os prejuízos atingirão a todos, moradores ou não das regiões impactadas. Por isso, declaramos que não queremos os 400 empregos em nome de 4000 desempregados.

“Resistir para continuar a existir!”        
       (Zacarias de Casa Nova/BA)


Ilhéus, 28 de outubro de 2011
Centro de Estudos e Ação Social, CPT, CETA (Movimento dos Trabalhadores Acampados e Assentados do Estado da Bahia, MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), MAB, AMORVIJU, Articulação Popular São Francisco Vivo, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pindaí, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Real, Comissão Pastoral do Meio Ambiente (Lagoa Real-BA), Floresta Viva, Associação Quilombola de Lagoa do Peixe, Associação de Moradores da Beira Rio e represa de Serra Grande (AMBRR), Conselho Gestor do Parque Estadual da Serra do Conduru, Fórum de Luta por Terra Trabalho e Cidadania (FLTTC), Coletivo Urucum Unimontes, Coletivo de Comunicação Aqui há Voz, Associação Agrícola do Projeto de Assentamento Nova Jerusalém, Blog do Gusmão, Associação Ação Ilhéus, Rede Sul da Bahia Justo e Sustentável, Associação dos Pequenos Produtores e Produtoras Rurais do Valão, Escola Familiar Agrícola Margarida Alves.  

ÁREA DO MOVIMENTO CETA REALIZA CURSO DE MANEJO DO CACAUEIRO

Melhorar a produtividade do cacaueiro e implantar novas tecnologias a partir dos lotes dos assentados e assentadas foi o intuito do curso do SENAR- Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, realizado no pré- assentamento Dois Riaçhões, sob a assessoria de Gilmar técnico agrícola da EBDA – Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola da equipe de ATES - Assessoria Técnica Social e Ambiental do Núcleo de Ubaitaba.
A região sofreu a partir dos anos 70 uma grande crise com a praga da lavoura cacaueira denominada Moniliophthora perniciosa, conhecida como vassoura - de - bruxa. O primeiro momento foi apresentado à parte teórica sobre pragas e doenças do cacaueiro. Os trabalhadores aprenderam como retirar a analise de solo. E aprenderam a dominar a técnica de enxertia tanto no viveiro, quanto nos brotos do cacaueiro, além do balizamento, e a poda para os cacaueiros adultos.  
A propriedade possui 165 hectares de cacaueiro com uma idade na média de 70 anos  em 37 lotes de 05 ha cada , Confira a elevação da produção nos últimos três anos .
PRODUÇÂO DE CACAU:
ANO
         @- ARROBAS 
               %
2008
            1.800
             ------
2009
            2.016 
              12
2010
            3.225
              60

De 2009 para 2010 houve um crescimento de 60%. De 2008 para 2010 (Três anos) houve um crescimento de 72%.Esta área melhorou a produção e com as rosagem, limpeza de cacaueiro e correção de solo com calcário, com o curso a idéia e atingir um percentual maior de produção por hectares, além, disso a cooperativa do sul, pretende produzir um cacau de maior qualidade de forma orgânica, para que os produtores melhorem a sua qualidade de vida nos próximos anos. As famílias produzem além do cacau frutas, animais de pequeno e grande porte e olericulturas em geral.



Julho de 2011
Por: Luciano Silva 

REVOLUÇÃO POPULAR POR MEIO DA EDUCAÇÃO

A militante Magnólia Sousa do movimento CETA está na Colômbia na cidade de Bogotá fazendo um curso de diplomado de planificação pastoral participativa na  FACULDADE  ITERPAL, no intuito de contribuir nos  projetos sociais e pastorais.O Movimento CETA está investido em educação para seus militantes porque acredita que precisa acontecer uma revolução também no ensino tradicional e superior . Atualmente os jovens Luciano Ferreira,Rubens Dario, José Carlos,Tereza Dario e Betina Amorim participam do curso de Jurista Leigo na cidade de Camacam  no sul da Bahia. Através do PRONERA temos militantes atuando nas áreas de técnicos em Agropecuária, Técnicos em Enfermagem  e Pedagogia da Terra, para formar militantes apaixonados com a causa popular investimos em cursos de Formação  Política e o CEAS é um parceiro fundamental nessa luta com o Projeto Tramando a Paz
A revolução que esse pais merece precisa acontecer primeiro dentro de nós, acreditando que por meio da educação portas podem se abrir, declararam jovens cursistas.

DESCASO AMBIENTAL

A natureza clama por socorro e os trabalhadores rurais por terra para cuidar e produzir o alimento de cada dia de toda nossa gente. A fazenda Casa Nova em Ruy Barbosa na Chapada Diamantina foi ocupada pelo Movimento CETA em 2009 no intuito de fazer valer as leis da terra de nosso pais. Infelizmente esses trabalhadores tiveram  dois despejos e foram obrigados a residir no corredor entre a pista e a cerca da fazenda em situações precárias e desumanas. Do outro lado da cerca os agricultores sem terra ver e com tristeza por não poder fazer nada, tratores destruir tudo que está a sua frente, até mesmo a natureza com suas matas que até então intocadas, presencia suas gigantes arvores cair por terra.




Até quando a impunidade vai reinar em nossas terras? Precisamos de lideranças comprometidas com a causa popular,que faça valer o direito de todo cidadão e cidadã.

NOTA DE FALECIMENTO


“Mataram mais um irmão, mas ele ressuscitará e o povo não esquecerá! “


Funeral de Leonardo Leite

          Na noite do dia 06 de setembro de 2011, por volta das 21:00 h, no Povoado de Mandassaia, no município de Monte Santo/BA, foi assassinado à tiro o companheiro LEONARDO DE JESUS LEITE, 37 anos, liderança regional do Movimento CETA,  casado e pai de dois filhos.
          O LÉO fazia parte de um grupo de trabalhadores rurais sem-terra que, há mais de 10 anos, luta bravamente pelo DIREITO À TERRA, TRABALHO e JUSTIÇA na região e especialmente pela desapropriação para fins de REFORMA AGRÁRIA da FAZENDA JIBÓIA, no município de Euclides da Cunha, de propriedade do Sr. José Renato, ex-prefeito deste mesmo município.
          Nos últimos quinze dias, o LÉO vinha sendo covardemente ameaçado por pistoleiros que atuam na região de Monte Santo a mando de um GRUPO DE FAZENDEIROS.
          Ironicamente, às vésperas do feriado de 07 de setembro, quando a nação brasileira pára pra celebrar a independência e a cidadania, um filho seu que nunca fugiu à luta e enfrentou a injustiça e a opressão do latifúndio, foi brutalmente assassinado. Arrastando-o do interior de sua casa, na presença de sua esposa e filhos, o executaram no terreiro com um tiro na cabeça. Será este o preço da cidadania e independência? A própria morte?!
          Foi mais uma morte anunciada! Os latifundiários fizeram mais uma vítima e não foi por falta de aviso. Nos últimos 03 anos foram assassinados 05 (cinco) trabalhadores rurais em Monte Santo em razão da luta pela terra. Há muitos anos, um grupo de fazendeiros age em quadrilha neste município, perseguindo e matando todo cidadão que ousar se insurgir contra o latifúndio e contra seus desmandos de corrupção e roubalheira.
          As autoridades públicas (Poder Judiciário, Polícia Civil, Ministério Público, INCRA, Ouvidoria Agrária e outros) estavam cientes das ameaças e sabem quem são estes “fazendeiros”. No entanto, nada fizeram!
          O sangue derramado do companheiro LÉO agora exige JUSTIÇA com a punição dos culpados e a imediata desapropriação da Fazenda Jibóia, no município de Euclides da Cunha/BA, porque esta era a terra que ele “queria ver dividida” e, por isso, pagou com a própria vida!